I
Comecei com esse negócio de que meu objetivo de vida consistia em experimentar tudo que eu pudesse, num momento crítico da minha vida.
Aquela depressão profunda, que muita gente tem entre a juventude e a vida adulta. Não lembro como entrei, também não sei como saí.
Desse período, que durou cerca de seis meses, me lembro de pouca coisa, apenas alguns pontos críticos: o dia-a-dia cinza, o choro, o isolamento, os pensamentos obsessivos, o desabamento, a queda, as interferências externas, a famigerada tentativa de suicídio.
Essa merda toda aconteceu bem em seguida da minha “certeza” religiosa, de que eu não teria nenhuma: já que eu não acreditava em nada, não adiantava pedir ajuda à deus nenhum.
E num ponto bem miserável e dramático, finalmente a proposta final. Acabei assinando um contrato muito sério comigo: fiz uma lista de cinco coisas que não tinha feito na vida e queria fazer.
O acordo era que eu tinha a liberdade de morrer se conseguisse realizar as tarefas da lista. Era uma coisa bem fácil, uma pegadinha do meu inconsciente para me dar mais tempo pra pensar.
Enquanto um lado do meu pensamento era consumido entre maneiras fáceis e pouco doloridas de morrer, o outro estava se empenhando em planejar como eu executaria as tarefas. Fiquei bem comprometida nos dois lados da coisa.
Sei que a imagem parece bem mórbida mas, vamos lá, você já foi um adolescente problemático. Depressão é um negócio forte pra caralho - me desculpe o palavreado.
3 dias atrás
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