"- Eu to poco me estrambelhando pra essa série de boboquices entre pesssoas alheias. - Eu também, vamos dar no pé." Lucas Zecchin em "Lucas Zecchin"

Junho 26, 2011

Um culto

Ele é um cara cultural e cultiva plantas ilegais na janela da cozinha.
Na varanda possui dois quadros mal feitos que costuma receber elogio de visitas. Ele diz que foram as maiores merdas que ele já fez na vida e que eram tão ruins que mereciam ser compartilhados. Oh, ele é um underground.

Ah! Mas ele diz que não sabe ler, escrever, pintar, cantar e dançar. Também diz que na cozinha é uma lástima (e que já queimou tanta comida que aprendeu a comer arroz cru, para não disperdiçar). Falou que só aprendeu a trepar pelo instinto de macho que, com certeza, carrega desde cedo - e agradece as supostas putas caridosas pelas lições aprendidas.

Mas no final do show, fica aguardando as moedas e esmolas. "Oh, mas você fala tão bem" e "seu quadro realmente expõe a qualidade da alma de uma pessoa".
E vejo que eles sugam tão bem o escroto (os sacos, eu digo) que o maldito (o cara) ficou viciado nesse boquete mental.

Eu dou risada, bem baixinho.
Ele sabe. Ele fica do meu lado o tempo todo.
E eu dou risada porque ele diz:
"Nah... isso aí, na verdade, é a minha pior merda. Sou tão escroto que não sou capaz de fazer nada melhor".

Mas sei que lá no fundo vazio, naquele momento onde não há tempo para palmas... sei que ele está... assim-assim. Consciente da merda valiosa que sai da sua boca, de suas mãos, de sua vida... de cada porra de palavra que põe no papel.

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